Saúde  Mental  Gestacional

Cada mulher vive a gravidez como uma experiência única que envolve uma série de transformações psíquicas, físicas, fisiológicas, sociais e emocionais. Sendo na maioria dos casos um processo saudável, surgem por vezes alguns desvios da normalidade que podem, através de despiste precoce, ser devidamente acompanhados e não trazerem consequências para a grávida/mãe e seu filho.

                      A gravidez é um dos momentos em que a mãe deve se sentir tranquila e plena. É importante que a grávida cuide da saúde mental assim como cuida da saúde física. Procurar ficar menos estressada e melhorar a qualidade de vida são fundamentais para manter a saúde mental durante a gravidez.

 

                   A mulher precisa do apoio do(a) companheiro(a), pois a vulnerabilidade emocional possui um papel importante sobre a mulher grávida. Com amor e muitos cuidados, consegue-se manter o nível de saúde mental adequado.

                  As mulheres grávidas são mais propensas a sofrer de ansiedade e de depressão. Essas doenças favorecem o aparecimento de problemas mentais habituais durante a gestação, que podem até levar  a problemas físicos de saúde graves. Além de afetar a mãe, também pode causar efeitos no feto. Os choros frequentes, e pensamentos negativos na grávida são alguns dos indícios que devem chamar à sua atenção. Às vezes, não são só os maus pensamentos e o estresse que afetam a nossa saúde mental, mas a ilusão e euforia em ter o bebê.

Quais problemas que podem atrapalhar a saúde mental durante a gravidez?

                 As estatísticas indicam que, por exemplo, a ansiedade afeta 15 em cada 100 mulheres grávidas. Além disso, o estresse é o problema que afeta a maioria das gestantes. Isso dificulta o controle emocional, especialmente diante de preocupações financeiras, profissionais e sentimentais. Outros sintomas são o enjoo, dor nas costas … Os distúrbios hormonais são mais frequentes durante a gravidez. Tem horas que nos sentimos alegres, contentes, satisfeitas, e seguras. Tem outras que nos sentimos tristes, deprimidas, ansiosas, e inseguras. A qualidade do sono, em algumas grávidas, piora muito.

                    Além disso, a melancolia atinge a metade das mulheres, devido a alguma confusão ou instabilidade emocional. Na maioria dos casos, aparece com intensidade alguns dias depois do parto, mas não tem com o que se preocupar, já que costuma durar muito pouco. Elas costumam ter pensamentos confusos ou esquecer as coisas, porém com a ajuda do(a) parceiro(a) e dos entes queridos, a mulher conseguirá superar.

              Cabe destacar que é muito importante o bem-estar psicológico para que a gravidez ocorra da melhor forma possível. É fundamental que a mãe se sinta segura, protegida e, sobretudo, é importante que as pessoas mais próximas a ajudem em todos os momentos.

                 Para auxiliar a mulher grávida você deve fazer com que ela se sinta importante e escutá-la atentamente. Dessa forma, você irá mostrar para ela que se importa de verdade com o que ela pensa. É recomendável que ela saiba que pode contar com você para tudo o que precisar. Sendo assim, lhe dê conselhos e tente animá-la sempre. Nessa etapa é conveniente que ela continue com as suas tarefas e se você puder acompanhá-la, melhor ainda. Isso será bom para que ela saiba que não está sozinha nunca.

O amor e a paciência são as chaves para saúde mental durante a gravidez

                      A autoestima alta nas mulheres grávidas é importante para o desenvolvimento do seu bebê, já que tudo o que a mãe sente, o bebê também irá sentir. Por isso, é essencial incentivar a grávida a fazer as coisas com esforço e otimismo. A alimentação correta e a prática de exercícios físicos, de acordo com o seu estado, podem ajudá-la a melhorar o conceito de si mesma.

Para manter um bom estado de saúde mental durante a gravidez recomenda-se o seguinte:

  • Uma alimentação saudável e equilibrada. Não se esqueça de manter uma dieta adequada. Siga as recomendações do seu médico ao pé da letra.

  • Melhorar o humor com alguma coisa que você gosta de fazer. Diga ao seu cônjuge o que você quer fazer. Você pode planejar em cada semana uma atividade diferente, como caminhar, ir ao cinema, escutar uma música, ler, etc… Tente realizar outra atividade que lhe pareça interessante, o importante é se sentir bem. Essas coisas irão mudar o seu semblante, e todo mundo irá notar isso

  • Fazer exercícios físicos, de acordo com o seu estado. É importante que você faça uma consulta a um especialista nesse caso. Existem alguns lugares onde as mulheres grávidas podem ir e fazer exercícios (inclusive em casal). Há sessões de relaxamento que podem fazer com que você se sinta muito bem.

  • Dormir regularmente. As mulheres grávidas devem dormir quantas vezes quiserem, isso não irá afetar de forma alguma o bebê. Dessa forma, é recomendável que durma o máximo que puder.

  • Em todos os casos citados acima o homem deve ter muita paciência para lidar com as situações com muito amor, carinho e cuidado, para fazer com que a sua esposa tenha uma gravidez plena e tranquila.

UM LADO OBSCURO DA SAÚDE MENTAL GESTACIONAL

                     Estresse, depressão e complicações de ansiedade na gravidez estão relacionados a casos de partos prematuros, mas tomar alguns remédios pode apresentar risco de má-formação do bebê. A gestação é período de mudanças físicas, emocionais e sociais na mulher, gerando expectativas, novos projetos e fantasias. Não bastassem incertezas e responsabilidades, alterações hormonais favorecem o surgimento ou agravamento de quadros psiquiátricos, principalmente transtornos depressivos e ansiosos. As estatísticas variam, mas de 10% a 15% das gestantes têm os problemas que, se não tratados, podem levar à chance de recaída superior a 75%. “Por mais contraditório que pareça, muitas pacientes apresentam tristeza ou ansiedade em vez de alegria nessa fase. Os limites entre o fisiológico e patológico podem ser estreitos, gerando dúvidas em médicos obstetras,e psiquiatras”,

 

                    Esse grupo de especialistas deve estar preparado para decidir qual é o maior risco: tratar ou não tratar o transtorno psiquiátrico na gestação? Segundo Rennó Júnior, médico psiquiatra,  há um grupo de gestantes mais sensíveis às variações dos níveis hormonais, o que pode ser determinado geneticamente. Por outro lado, há mulheres com fatores estressores significativos durante a gravidez: relacionamento conjugal instável; baixo suporte social e status socioeconômico; histórico de abuso físico e sexual e de uso de álcool e drogas; antecedentes de abortamentos espontâneos; complicações obstétricas ou na véspera do parto, entre outros “gatilhos” que podem desencadear transtornos mentais na gravidez. Também o histórico de depressão ao longo do ciclo de vida da mulher deve ser investigado.

 

               É comum que os médicos recebam em seus consultórios mulheres com depressão recorrente, fazendo uso controlado de medicamento e querendo engravidar. O que fazer? Parar com a medicação? Trocar o antidepressivo?  É uma situação muito delicada, em casos de transtornos psiquiátricos na gestação, a decisão entre usar ou não medicamentos nunca será isenta de riscos. O problema é que um levantamento recente aponta que 77% das grávidas que interrompem o tratamento psiquiátrico o fazem com orientação médica. “A maioria é desaconselhada pelo próprio obstetra. Quem tem ausência de risco dificilmente vai fazer tratamento de transtorno psiquiátrico perinatais. Só que não existe ausência de risco, seja ela do tratamento ou da própria doença”,

                    O ESTRESSE por exemplo, pode levar ao crescimento intrauterino retardado, predispor abortamentos espontâneos, determinar o nascimento de um bebê com perímetro encefálico diminuído, além de aumentar o risco de parto prematuro. Alterações imunológicas, inflamatórias e na resistência da artéria uterina também são responsáveis por um desenvolvimento alterado da criança e pode ocorrer não só em casos de estresse, mas também de ansiedade e depressão. “Mas esses fatores geralmente não são levados em consideração por quem para a medicação. Só se levam em consideração os efeitos dos psicofármacos.” Qualquer mulher, mesmo a que não toma remédio, tem um risco de má-formação que varia de 3% a 6%. Estudos recentes demonstraram que muitos medicamentos estão na mesma faixa de risco, ou menor. Esses estariam “permitidos”.

Sobre os Transtornos

Transtornos ansiosos

            Tipicamente surgidos na infância e na adolescência, os transtornos ansiosos têm maior incidência na idade fértil e podem ter menor intensidade durante a gestação. A síndrome do pânico, o transtorno obsessivo compulsivo e o transtorno de estresse pós-traumático podem se iniciar ou se exacerbar no pós-parto, sendo fatores de risco para a depressão pós-parto. O transtorno de ansiedade generalizada, por exemplo, tem 8,5% de prevalência na gestação. Precisam ser tratados por estar relacionados a maior risco de diabetes, doenças cardíacas e hipertonia, o aumento anormal do tônus muscular. A ansiedade na gestação também leva ao parto prematuro, baixo peso, complicações obstétricas e maior uso de analgésicos no trabalho de parto. Já o estresse na gestação geralmente é desencadeado por episódios como luto, eventos catastróficos e aborrecimentos diários, podendo também ser um estresse crônico ligado a preconceito, contexto social e questões ocupacionais. Pode levar a alterações imunológicas e inflamatórias significativas, via responsável por 50% dos partos prematuros.

 

Hormônios

A depressão é outra preocupação. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o risco para desenvolvimento de um transtorno depressivo maior durante a vida varia de 10% a 25% nas mulheres. Na gestação, a prevalência é de 7,4% no primeiro trimestre e de 12% no segundo e terceiro. Os sintomas variam com a flutuação dos hormônios. Por isso, a história da vida reprodutiva da paciente deve ser investigada, pois os anticoncepcionais podem ter interação medicamentosa com psicotrópicos.

O tratamento da depressão em mulheres grávidas ou planejando engravidar requer cuidadosa avaliação dos riscos e benefícios à paciente e ao feto. Mulheres que estão em tratamento de depressão devem planejar a gravidez, discutindo a ideia com o seu psiquiatra e com o obstetra. Em casos específicos, inicialmente, apenas a psicoterapia pode ser uma opção de tratamento. As medicações antidepressivas devem ser consideradas para as gestantes com sintomas moderados a graves. Em todos os trimestres da gravidez, o grupo dos antidepressivos serotoninérgicos costuma ser relativamente seguro. 

 

Distúrbios psiquiátricos na gestação devem ser abordados de forma interespecialidade (psiquiatra e obstetra) e interdisciplinar (médicos e outros profissionais). Sempre que possível, deve ser realizada avaliação pré-gestação antes da concepção, para discutir a adequação das medicações e a prescrição do ácido fólico (metil folato ) com o objetivo de reduzir chances de má-formação.

Como a gravidez deve ser conduzida em pacientes que precisam de medicação psiquiátrica?
O ideal seria o aconselhamento pré-gestacional, a prescrição de ácido fólico antes da gestação, o ajuste de dosagens e a suspensão de medicações com efeitos teratogênicos comprovados, caso do lítio e ácido valproico. É preciso ter uma atenção cuidadosa no pré-natal quanto ao rastreamento de anomalias fetais e crescimento do feto. Não há evidências de indicação de cesariana apenas pelo diagnóstico de doença psiquiátrica. Casos mais graves devem ter acompanhamento multiprofissional e individualizado.

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